Desvendando grandes mitos populares sobre a idade média

Desvendando grandes mitos populares sobre a idade média

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A Idade Média é um período histórico fascinante, que vai do século V ao XV. No entanto, o imaginário popular está repleto de equívocos sobre essa época. Ideias como o uso contínuo de armaduras ou a vida sendo brutalmente curta são algumas das concepções errôneas comuns.

Muitos mitos surgiram devido à falta de registros históricos precisos, interpretações errôneas e a propagação de informações incorretas ao longo dos séculos. Portanto, é fundamental separar a realidade do mito para entender melhor essa época complexa e significativa.

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Embora existam incontáveis mitos sobre a Idade Média, iremos focar em alguns dos mais persistentes e difundidos. As percepções incorretas a respeito desse período histórico podem ser variadas e intrigantes, abrangendo desde as práticas diárias de higiene até as concepções de mundo.

Mito 1: higiene pessoal era inexistente

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

A ideia de que as pessoas na Idade Média evitavam banhos e tinham pouca higiene pessoal é generalizada. Isso é, em grande parte, um exagero.

Na verdade, embora o banho diário não fosse comum, a higiene pessoal era importante para as pessoas da época. Existe uma vasta documentação sobre banhos públicos na Europa Medieval, evidenciando que o banho era uma prática social.

Além disso, a limpeza era considerada um sinal de virtude, com pessoas comuns lavando as mãos e o rosto diariamente. Portanto, a ideia de uma Idade Média suja e malcheirosa é um mito bem enraizado, mas claramente impreciso.

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Mito 2: a expectativa de vida era curta

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Embora seja verdade que a expectativa de vida na Idade Média era menor do que é hoje, uma média de 30 anos é um dado enganoso. Esse número é puxado para baixo por altas taxas de mortalidade infantil, que eram comuns na época.

No entanto, uma pessoa que chegasse à idade adulta poderia esperar viver até os 60 ou 70 anos, se não fosse vítima de guerra ou doença. Portanto, a afirmação de que as pessoas na Idade Média raramente passavam dos 30 anos não é verdadeira para aqueles que conseguiram sobreviver além da infância.

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Além disso, devemos lembrar que a expectativa de vida pode variar muito dependendo de fatores como classe social, dieta, acesso à medicina, entre outros. A longevidade não era um fenômeno desconhecido na Idade Média, apesar das condições difíceis.

Mito 3: acreditava-se que a Terra era plana

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Apesar da crença popular, a ideia de que durante a Idade Média as pessoas acreditavam que a Terra era plana é completamente falsa. Este mito foi disseminado por autores do século XIX que buscavam retratar a Idade Média como um “período das trevas”.

Historiadores da época, incluindo o famoso filósofo e teólogo Santo Tomás de Aquino, aceitavam que a Terra era redonda. A esfericidade da Terra era conhecida desde a Antiguidade Clássica e raramente era questionada durante a Idade Média.

Ademais, devemos notar que muitos textos acadêmicos e mapas da época também refletiam a ideia de uma Terra esférica. Assim, o mito da Terra plana é mais uma construção moderna, usada para desvalorizar a erudição medieval, do que um reflexo da realidade desse período histórico.

Mito 4: as pessoas eram analfabetas

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Um equívoco comum sobre a Idade Média é que a maioria das pessoas eram analfabetas. Isso não é inteiramente verdade. Embora a taxa de alfabetização não fosse tão alta como hoje, a leitura e a escrita não eram habilidades desconhecidas.

A alfabetização estava ligada à ocupação e ao status social. Monges e clérigos, por exemplo, eram tipicamente letrados. A alfabetização não era apenas uma habilidade da nobreza, mas se estendia a várias classes.

Além disso, em algumas cidades, especialmente em regiões de comércio próspero como a Itália, a alfabetização entre os cidadãos comuns era mais alta. Desta forma, a escrita e a leitura eram habilidades presentes, ainda que não universalmente distribuídas.

Mito 5: todos eram camponeses

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Acredita-se frequentemente que a maioria das pessoas na Idade Média eram camponeses. Embora os camponeses constituíssem uma parcela significativa da população, a sociedade medieval era diversificada e complexa.

Havia uma gama de profissões além da agricultura. Artesãos, mercadores, clérigos, nobres e uma variedade de outras ocupações faziam parte do tecido social. Portanto, a vida na Idade Média não pode ser simplificada como sendo exclusivamente agrícola.

As cidades medievais eram centros vibrantes de comércio e cultura. Elas abrigavam uma diversidade de profissionais e ofícios que desmentem a ideia de uma sociedade exclusivamente rural. Assim, a vida na Idade Média era mais diversificada do que o mito sugere.

Mito 6: a idade média foi uma época de trevas

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Talvez o mito mais persistente seja que a Idade Média foi uma “época das trevas”, desprovida de progresso cultural ou científico. Este é um equívoco sério, pois essa época teve notáveis ​​avanços em diversas áreas.

Durante a Idade Média, ocorreram significativos avanços científicos, filosóficos e artísticos. A arquitetura gótica, por exemplo, surgiu e evoluiu neste período, representando um dos maiores feitos artísticos da humanidade.

Além disso, foram criadas universidades e o pensamento teológico e filosófico floresceu. Isso contradiz a ideia de que a Idade Média foi um período estagnado, reforçando que foi um período de mudança e inovação intensas.

Mito 7: as bruxas de Salem ocorreram na idade média

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Um dos mitos mais conhecidos é o da caça às bruxas, que muitos acreditam ter ocorrido na Idade Média. Entretanto, a realidade é que a maior parte das perseguições e julgamentos de bruxas na Europa e nas Américas ocorreu muito depois, no fim do período medieval e durante a Idade Moderna.

Um exemplo famoso é o dos julgamentos das Bruxas de Salem, que aconteceram no século XVII, na Nova Inglaterra, bem distante da Europa medieval. Estes julgamentos são frequentemente associados à Idade Média devido à percepção equivocada de que a perseguição às bruxas era comum naquela época.

No entanto, a ideia das bruxas como praticantes do mal, é um conceito que só se solidificou mais tarde, durante o fim da Idade Média e início da Moderna. Na maior parte do período medieval, a figura da bruxa como conhecemos hoje não era uma preocupação central na sociedade.

Redescobrindo a idade média

(Fonte: Reprodução Parece Curioso)

Com o desvendar desses mitos, vemos que a Idade Média foi um período muito mais diversificado e vibrante do que geralmente é retratado. Muito além das imagens de castelos escuros e camponeses sofridos, a época foi um momento de grande evolução social, artística, científica e cultural.

Ao desvendar esses mitos, redescobrimos a complexidade da sociedade medieval, que apresentava uma rica tapeçaria de experiências e perspectivas. Em cada canto de uma cidade medieval, em cada mosteiro, oficina ou feira, havia uma história a ser contada, uma vida a ser vivida. A Idade Média foi palco de avanços e descobertas, mas também de conflitos e contradições.

Ao nos despedirmos da Idade Média por agora, vamos nos lembrar de manter a mente aberta para entender as nuances do passado. Cada era da história tem suas complexidades e seus encantos, e a Idade Média não é exceção.

Lucas Monteiro
Lucas Monteiro
Olá, eu sou o Lucas, um apaixonado por todas as formas de arte e um crítico que ama colocar suas ideias no papel. Tenho diploma em História da Arte da Universidade Federal do Rio de Janeiro e adoro viajar o mundo explorando museus e galerias. Quando não estou escrevendo, você pode me encontrar pintando ou visitando exposições de arte local.
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